Bon Bini Bonaire


Da Redação
29/03/2016

18 dicas de ouro para você aproveitar todas as maravilhas da Ilha dos Mergulhadores

 

 

O nome Bonaire, que a maioria das pessoas no Brasil pronuncia “Bonér”, ainda é pouco conhecido fora da tribo do mergulho. Normalmente quando dizemos aos amigos “não iniciados nas atividades sub para onde estamos indo, vem logo uma cara de interrogação e a pergunta “Pra onde???”…  Mas Bonaire é provavelmente o destino de mergulho internacional mais popular para os brasileiros, e certamente o mais em conta se fizermos uma relação de custo da viagem x quantidade de mergulhos; não é incomum os mais fominhas, principalmente os que estão indo pela primeira vez, fazerem 5 mergulhos ao dia, tal a facilidade que tem para isso. Aí é só fazer as contas, numa semana pode se fazer sem grande esforço 20 mergulhos, e tem gente que faz mais!

A ilha de Bonaire, que no idioma local (papiamento) se chama Boneiru, pertence à Holanda, e fica ligeiramente ao Norte do Equador, a apenas 50 milhas da costa da Venezuela,  e a 30 milhas ou 15 a 20 minutos de voo de Curaçao, que é normalmente o ponto de conexão de quem vem do Brasil, geralmente via Bogotá (Colômbia) ou Cidade do Panamá. Ao escrever este texto em Novembro de 2014 não havia ainda voos diretos do Brasil para Bonaire, embora uma cia. aérea esteja anunciando para breve um voo direto de Manaus – é torcer e aguardar pra ver se acontece.

Bonaire não tem as paisagens de praias paradisíacas com coqueiros e areias brancas como algumas propagandas de outras ilhas do Caribe mostram; é uma ilha com terreno não propício ao cultivo e vegetação típica de áreas secas, e uma costa em sua grande maioria rochosa, com poucas praias. Mas em compensação há diversos pontos com bons acessos para mergulhos de costa, seja a partir dos hotéis que ficam na Costa Oeste (o lado protegido do vento que sopra quase constantemente de Leste) ou de pontos demarcados ao longo de uma estrada que margeia o lado Oeste da ilha de Norte a Sul. Em geral a entrada na água é a partir de um pequeno degrau rochoso, que com atenção pode ser vencido sem problemas; é aí que está o diferencial de Bonaire, a liberdade de escolha de local, horário e quantidade de mergulhos. O ideal é cada grupo de até 4 pessoas alugar uma caminhonete (pick-up) de cabine dupla, colocar os cilindros e equipamento na espaçosa caçamba, e sair explorando a ilha. A equipagem pode ser feita sentado na própria tampa basculante da caçamba, aí é pegar as nadadeiras, a câmera fotográfica (altamente recomendada) e caminhar até o ponto de entrada na água; após descer com cuidado o degrau de pedras e corais mortos, é andar um pouquinho, inflar o colete, boiar e colocar as nadadeiras e sair pra aventura. É interessante entrar na água em duplas, para que uma pessoa se apoie na outra e tenha mais firmeza no caso de se pisar em falso em um buraco; se houver pequenas ondas, aguarde um intervalo para que possa ver exatamente onde está pisando, já que as ondas, mesmo fracas, revolvem o fundo e tiram a necessária visão dos detalhes no chão.

Bem, essa descrição toda é para os pontos mais remotos; na frente dos principais hotéis há normalmente uma boa estrutura para entrada e saída da água, com escadas e píeres. Diversos hotéis permitem mergulhos para não hóspedes, sendo que alguns podem cobrar taxa para tal. Como mergulho de hotel, o meu favorito é o Buddy Dive Resort, não só pela ótima estrutura e facilidade, como pela simpatia de todo o staff e a atenção com que tratam os mergulhadores, mesmo que não sejam hóspedes; é o meu noturno preferido em Bonaire. Em frente ao hotel está o ponto chamado “Buddy Reef”, que vale conhecer.

 

 

18 dicas para curtir Bonaire em sua plenitude

É comum, mesmo em grupos de escolas de mergulho, haver pessoas com ritmos diferentes: Alguns querem fazer tantos mergulhos quantos puderem, outros querem mergulhar menos, descansar e curtir também outras opções de lazer. Eu acho que é bem possível se curtir Bonaire em sua plenitude sem deixar de mergulhar bastante.

Primeiro passo: Planejar a viagem. Férias e lazer não combinam com planejamento rígido, mas com um pouco de organização dá pra dizer ao final da viagem que se conheceu Bonaire, e não somente o fundo do mar que cerca esta ilha. Vamos lá, espero que gostem das sugestões; podem tomar como um ponto de partida em sua próxima aventura nesta ilha.

Normalmente os pacotes costumam durar uma semana, com 5 a 6 dias de mergulho, e para que o tempo renda, procure trocar quantidade por qualidade da seguinte forma:

 

1. Mesmo cansado da viagem acorde cedo no primeiro dia para os trâmites burocráticos prévios aos mergulhos: preencher papelada, apresentar certificações, comprar o “tag” para mergulhar no parque marinho (USD 25 para mergulhadores e USD 10 para snorkel), assistir a palestra obrigatória sobre o parque, pegar lastro e equipamentos de aluguel se for o caso, pegar carro se não tiver conseguido faze-lo na véspera (não esqueça de levar a carteira de motorista!).  Muitos hotéis pedem que o primeiro mergulho seja feito no seu “house reef” (recife em frente ao próprio hotel) para ajuste de lastro e equipamentos.

2. Use EAN (Nitrox) e um computador de mergulho; em mergulhos sucessivos, se você tiver um bom consumo, seu tempo de fundo ao final de 3 bons mergulhos com EAN 32 será maior do que com 4 ou até 5 mergulhos com ar, dependendo é claro dos perfis efetuados. Se você não tem o curso, vale fazer antes da viagem, ou mesmo por lá se preferir; mas fazendo antes ganha mais tempo de fundo na ilha.

3.Não vá muito fundo; os corais e esponjas nos principais pontos de mergulho começam a ficar densos ainda no raso, em torno de 6 a 8 metros; estar a 25 metros ou a 15 tem praticamente a mesma paisagem em diversos pontos (há algumas exceções); considere 20 metros como limite de profundidade e não irá perder nada, não há peixes grandes ou paisagens melhores abaixo disso, a não ser o naufrágio do Hilma Hooker que tem a areia a 30 metros; esse você deve visitar mesmo sendo mais profundo.

4. Use seu computador e faça sempre mergulhos em multinível; na metade do ar do cilindro vá para o raso e curta mais tempo de fundo, e vai sair da água sempre com mínima margem de N2 residual para o mergulho seguinte. Para quem curte foto sub ficar entre os 15 e os 5 metros é o melhor a fazer. Termine seu mergulho vendo os pequenos peixes dos corais no raso, enquanto ao mesmo tempo faz a parada de segurança.

5. Comece a mergulhar cedo, para aproveitar melhor o dia. Em Bonaire amanhece em torno de 6 e meia, e escurece por volta disso no final da tarde; tome café cedo, saia cedo e lá pras 13 ou 14 horas já terá feito 3 bons mergulhos.

 

6. Almoce e saia para passear; vá um ou mais dias a Kralendjik ver as lojas e tomar um gostoso sorvete, e fique pela orla para ver o por do sol; programe um outro dia para um passeio de kayak em Cai, em meio ao manguezal, com snorkeling para observar os corais, esponjas e filhotes de peixes em meio às raízes das árvores de mangue, assim como as interessantes “upside down jellyfish” ou “águas vivas de cabeça pra baixo” em tradução literal; vá a Sorobon para praticar windsurfe, inclusive com aulas, ou simplesmente veja as belas manobras dos praticantes enquanto curte a happy-hour num dos bares na beirinha da lagoa de água morna.

 

7. Quando for mergulhar com carro na direção Sul, uma boa opção é emendar e ver ou praticar o kite em Atlantis; é impressionante a velocidade que os praticantes conseguem, literalmente voando sobre a água; se continuar depois em direção ao Sul dá pra contornar a ponta Sul da ilha, onde tem um belo farol que dá boas fotos, seguir rumo Norte e chegar a Sorobon a tempo de curtir mais esse local no mesmo dia.

8. Gosta de pedalar? Um passeio à tarde pela estrada cênica que vai para os pontos de mergulho do Norte, com direito a vários mirantes para se parar e tirar fotos, é uma boa opção. Exercício com um belíssimo visual. Se não quiser fazer esforço, vale até alugar uma scooter e curtir o vento no rosto sem se cansar!

 

9. E os mergulhos noturnos? Como o nome diz, embora os americanos gostem de fazer noturno ainda com luz do dia, é à noite mesmo que a fauna muda, que as criaturas da noite como crustáceos, moreias, polvos costumam aparecer; e é quando os grandes tarpões começam a acompanhar os mergulhadores para caçar à luz das suas lanternas. Então dá pra ver o por do sol, voltar ao hotel e cair na água pelo menos umas 19 horas ou mais um pouco, até umas 20 horas…

 

10. E depois? É hora de experimentar a gastronomia da ilha, sair pra jantar fora. Bonaire tem ótimas opções gastronômicas, diversos restaurantes de cozinha internacional, com uma variedade grande de pratos. Na viagem para a realização desta matéria tivemos a oportunidade de conhecer locais ótimos, jantares maravilhosos à beira mar em hotéis ou no centro da cidade; destaque para a informalidade de pizzas e massas no “Run Dinner” no Captain Dons Habitat, para o novo e chique restaurante  “Ingridients”, no Buddy Dive, para o “Bistro de Paris do Patrice (um francês que morou no Brasil e fala bom português) que fica ao lado da Marina, o chique “It Rains Fishes” de frente para o mar no Centro de Kralendjik, onde também fica o informal mas muito agradável “El Mundo, e ainda o ambiente sofisticado e ao mesmo tempo aconchegante do “Sebastians na área Sul da cidade, após o Centro.

 

11. Ainda sobre gastronomia, nas noites de quarta-feira o Zizou Bar, anexo ao Bistro de Paris é um ponto tradicional de encontro dos profissionais de mergulho da ilha; nesse dia há inclusive um desconto de 50% sobre o preço regular de alguns hamburgers, conforme me foi dito. É claro que antes de ir e consumir vale confirmar, já que esse evento pode mudar de dia, ou pode haver mudança na política de preços; mas é boa chance de se saber mais sobre o mergulho da ilha com quem realmente entende dele.

 

12. Mesmo tendo que pagar uma saída de barco, vale reservar uma manhã para dois mergulhos no lado de mar mais batido, a costa Leste da ilha, partindo em grande (10 mergulhadores) seguro e rapido barco inflável do cais dos pescadores em Sorobon . Quem faz esse passeio é a Bonaire Eastcoast Diving, e você pode reservar a partir do seu hotel ou direto com eles por telefone. O fundo é diferente, predominam corais macios (gorgônias) e há chance de encontro com peixes grandes, raias diversas, e principalmente cardumes de tarpões no ponto chamado “White Hole”, um buraco em forma de elipse na área rasa da barreira de corais que separa a baía Lac do mar aberto.

 

13. Ainda falando de mergulho embarcado, os hotéis tem operações de barco em vários horários, principalmente para atender pontos onde o acesso de carro não é possível, como alguns paredões rochosos ao Norte onde os corais começam praticamente colados à terra; pontos lindos como Rapel e Bloodlet valem o passeio; e há também os diversos pontos na ilha de Klein Bonaire, onde os corais e esponjas me pareceram mais conservados do que na ilha principal, talvez por serem menos mergulhados, e haver mais cuidado nos mergulhos devido a estes serem guiados e mais controlados.

 

14. Coral Restauration Foundation Bonaire

Estando ou não hospedado no Buddy Dive, um programa interessante acontece no bar da piscina de lá todas as segundas-feiras às 18hs30: É a apresentação do projeto de restauração dos corais de Bonaire, uma iniciativa muito interessante apoiada pelos resorts Buddy Dive e Harbour Village. Eles tem algumas “fazendas”, ou “berçários” de corais tanto na ilha principal como em Klein Bonaire, onde são cultivados corais dos tipos chifre-de-alce e chifre-de-veado. São montadas estruturas em forma de árvore e águas bem rasas, com muita luz do sol, onde são penduradas até 160 mudas de corais; uma vez que as mudas atingem determinado tamanho elas são cimentadas em áreas degradadas, onde esses corais poderão se reproduzir e crescer para restabelecer a saúde do recife. Quem se interessar em participar do processo pode aderir ao mergulho do dia seguinte, para ver como é feito e até ajudar no processo. Para participar desse mergulho é necessário contribuir com uma taxa de USD 10 que dá direito a uma tag como a do parque marinho.

 

 

15. No último dia inteiro na ilha, aquele em que não se deve mergulhar (mas muitos mergulham), cheque o horário do seu voo no dia seguinte, e se possível saia cedo pra um ou dois mergulhos; mas já deixe tudo organizado, um farnel e bebidas preparadas para na volta ir visitar o Washington Slaagbai Park, no extremo Norte da ilha. As estradas são rústicas, de terra, e carros pequenos não são aconselháveis; mas as caminhonetes de mergulho fazem um bom papel.  Importante saber que para entrar no parque tem que chegar até 14 horas na portaria, e tem que levar o recibo da taxa de USD 25 para mergulhadores ou USD 10 para não mergulhadores, junto com algum documento com foto, até carteira de mergulho serve.

 

16. Em Bonaire, por causa de furtos, se recomenda não deixar nada de valor nos carros ao mergulhar; mas como a ida ao parque Slaagbai requer um bom tempo de estrada e tem ótimos pontos de mergulho como Boca Bartol, Playa Bengé, Wayaká e Boca Slaagbai, combine com seu grupo para sair cedinho rumo ao parque e passar um dia inteiro por lá; enquanto uns mergulham outros tiram fotos em terra, curtem o visual, e depois revezam; aí dá pra levar piquenique, câmeras fotográficas para fora dágua, etc. É questão, como eu coloquei no inicio do texto, de planejar um pouquinho, nada rígido, mas o suficiente pra ao final da viagem não ficar dizendo “Ah, esqueci de ir a tal lugar…

 

17. Ah, uma dica aos fotógrafos sub: O sol de Bonaire seca muito rapidamente os equipamentos de foto sub, e nunca é bom deixar o’rings secarem com sal, e também as frentes de caixas estanques e lentes acessórias; o sal cristaliza e acaba arranhando as lentes; vale levar na caçamba dos carros garrafas pet com água doce, ou mesmo bolsas estanques cheias de água, no caso de câmeras compactas; sim as bolsas estanques são feitas pra manter a água fora delas, mas são fáceis de levar na bagagem e cheias de água e fechadas não deixam a água se perder com solavancos do carro, o que acontece com baldes por exemplo.

 

18. E finalmente, meus pontos preferidos para fotografia sub, com acesso por carro e fora do parque Slaagbai: Salt Pier (formas, texturas, jogo de luzes, cardumes), Red Slave (ponta Sul da ilha, cuidado que pode ter correnteza), Invisibles, Hilma Hooker (poucos peixes, mas o naufrágio é imponente e o recife em volta é bonito), Something Special (muito bom para macro, mesmo com fundo meio castigado por estar dentro da cidade e próximo a uma marina), 18th Palms (Plaza), Buddy’s Reef, (peixes mansos, entrada e saída fácil, estacionamento, ótimo para noturnos com tarpões), Oil Sleak Leap, Thousand Steps, Tolo (Ol’Blue), Karpata. E do lado Leste, se der sorte de um dia sem vento e mar calmo, entrar em Cai e pegar o canal para o recife externo, veja com a equipe de mergulho do seu hotel quando for viável.

 

 

Tem gente que não gosta de repetir pontos ou destinos de mergulho; mas Bonaire tem tantos pontos diferentes e variações em função da época do ano que merece várias visitas; afinal são 63 pontos cadastrados na ilha principal, sendo 54 acessíveis da costa, e mais pontos marcados de A a Z em Klein Bonaire! Definitivamente não dá pra conhecer tudo de uma vez só!

Bon Bini Bonaire? Bem vindo a Bonaire!

 

 

Fotos: Ary Amarante

*Ary Amarante é instrutor de mergulho e foto sub, com cursos exclusivos homologados pela PADI; é autor de diversos livros e do Guia Oficial de Bonaire em português, desenvolvido para o órgão de turismo da ilha. Através da sua empresa Phototravel Ary organiza viagens e workshops voltados para fotografia sub e convencional, inclusive para Bonaire. Visite www.aryamarante.com.br ou contatos via ary.amarante@gmail.com

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