Fuja do frio!


Da Redação
30/03/2016

O corpo precisa manter uma temperatura interna confortável o suficiente para conservar a normalidade fisiológica durante o mergulho. A perda brusca de calor é facilmente evitável, sendo que, para isso, é muito importante entender o mecanismo e as formas de prevenção

 

 

Um dos principais efeitos da diferença de densidade entre a água, onde permanecemos durante o mergulho, e o ar, nosso ambiente natural, é justamente a perda do calor corpóreo em uma velocidade aproximada de 25 vezes mais rápida no meio aquático. Na prática, isso significa que o a temperatura do corpo diminuirá enquanto mergulhando. Uma temperatura de 28º C é muito aconchegante fora da água. Dentro dela, inicialmente, também estará confortável, mas com o tempo passando o mergulhador sentirá cada vez mais frio porque perderá calor para a água que estiver em contato, já que a temperatura ideal do corpo é 37ºC e mesmo em um mergulho nas quentes águas caribenhas, por exemplo, que tem a temperatura aproximada dos 28ºC, ainda estará muito abaixo da de nosso corpo. Gradientes de temperatura maiores aumentarão a velocidade da diminuição da temperatura do organismo.

Para os mergulhadores, a Hipotermia é facilmente evitável, sendo para isso, muito importante entender o mecanismo e as formas de prevenção.

O corpo precisa manter uma temperatura interna confortável o suficiente para manter uma normalidade fisiológica, independente da exposição externa aos ambientes frios. O calor corporal é produzido de diferentes maneiras, como parte dos processos de manutenção da vida. Naturalmente, e de muitas formas, acontece algum tipo de perda de calor, também para manter a normalidade fisiológica, e nenhuma delas é um problema. A energia perdida acaba não sendo um problema desde que ela seja reposta de alguma maneira. De um jeito fácil de entender, o frio resulta então de uma perda de energia, maior do que a sua reposição.

Qualquer diminuição de temperatura corporal é frequentemente, mas erroneamente, chamada de hipotermia. Por exemplo, durante o sono, a temperatura corporal normalmente cai um pouco, o que é normal, sem, contudo, gerar em situação de hipotermia. Na realidade, hipotermia é a redução da temperatura interna do corpo (não apenas a temperatura da pele) para menos do que 35ºC.

O corpo controla a temperatura interna dentro de limites estreitos enquanto sofre mudanças na temperatura periférica devido à temperatura do ambiente. Normalmente o seu interior fica mais aquecido do que a pele. 37ºC é considerada uma temperatura normal para o interior do corpo humano, e não para sua pele, que está mais fresca e muda com a temperatura do ambiente. É um dos mecanismos de conservação da temperatura interna.  A pele se resfria a aproximadamente a temperatura ambiente para reduzir a diferença entre esta e sua periferia, mantendo o gradiente de calor pequeno e reduzindo sua perda. Pessoas com alta temperatura de pele perdem muito calor para o ambiente.

Alguns fatores vão afetar na sensação de frio. A Capacidade para manter e armazenar o calor está ligada a algumas características do corpo, como tamanho e quantidade de gordura. Exercícios físicos e tremedeira ajudam a aumentar a produção de calor. Exercícios em água fria podem gerar a perda de calor, mas a execução dos mesmos produz calor, e o resultado vai depender do que prevalecer. Para o mergulhador, a qualidade da proteção térmica vai influenciar diretamente na sensação do frio e na perda de calor (roupas de proteção: úmida ou seca).

 

 

Durante o mergulho

O cilindro que transporta nosso suprimento do ar é carregado por compressores especiais, que também o filtram e retiram dele a umidade, sendo muito mais seco do que o ar ambiente. Então, perdemos muito calor pela respiração, pois o organismo esquenta e umidifica o ar que inalamos. Este efeito é potencializado com a profundidade, pois a densidade do ar aumenta com a pressão, além da temperatura normalmente cair.

A proteção térmica mais comum usada por mergulhadores são as roupas úmidas, fabricadas com uma borracha sintético-alveolar composta por microbolhas de nitrogênio, e conforme a profundidade vai aumentando, maior será também a compressão das microbolhas da roupa, diminuindo assim o seu isolamento térmico quando mais precisamos, pois, geralmente, a temperatura da água também diminui com a profundidade.

Os efeitos da hipotermia irão variar com as pessoas e com as condições externas, desde moderada, severa, ou em casos extremos, fatal. Pode acontecer até mesmo em ambientes mornos, como águas tropicais, quando em repetidos mergulhos sem a devida proteção térmica. Sinais evidentes, como tremedeiras, podem não aparecer e o mergulhador não reconhecer o problema, mas a perda de calor vai continuar, diminuindo constantemente a temperatura do corpo.

 

Prevenindo Situações de Hipotermia

A melhor prevenção é escolher e usar uma proteção térmica que melhor atenda as necessidades individuais de aquecimento para determinado tipo de ambiente. Roupas de mergulho úmidas, semi-secas ou secas possuem diversas possibilidades de materiais e desenhos. As mais comuns são as roupas úmidas, que podem ser encontradas em diversas configurações (macacão, short jhon, long jhon, etc), além de seus acessórios como botas, meias, luvas e capuzes. Atenção para as regras de mergulho em determinadas áreas de conservação onde luvas estão proibidas.

O uso das populares camisetas de neoprene/lycra por baixo das roupas úmidas também é bastante recomendável, pois aumenta a proteção térmica justamente na área corpórea que precisa ficar mais aquecida: a região toraxico-abdominal, onde estão concentrados os principais órgãos vitais do organismo humano.

O planejamento do mergulho e a escolha adequada da proteção térmica devem ser feitos considerando a temperatura do fundo, e, principalmente, eventuais termoclinas.

É primordial providenciar uma boa hidratação antes do mergulho. Isso vai ajudar, não só a evitar a hipotermia, como diminuir as possibilidades de DD e narcose.

 

 

Classificação da Hipotermia

Frio leve: temperatura interna do corpo entre 36ºC e 37ºC; Sentido frio, pequenas tremedeiras, movimentos de mão desajeitados, fala normal.

Frio moderado: temperatura interna do corpo entre 35ºC e 36ºC; Início de confusão mental, apatia ou não cooperação, dificuldades com a fala.

Frio Severo: Verdadeira hipotermia; temperatura interna do corpo entre 32ºC e 35ºC; Falta de coordenação muscular, diminuição dos tremores até parada, fraqueza, apatia, sonolência, confusão de problemas sérios com a fala. Escalonadores resumem estes sinais como os que indicação mudanças na coordenação motora e consciência.

Hipotermina Severa: temperatura interna do corpo entre 32ºC e 29ºC; tremores param, incapacidade de movimento ou de seguir comandos, sentimento paradoxal de calor, perda de visão, cofusão, progredindo para o estado de coma.

Entre 29ºC e 18ºC: Rigidez muscular, redução da pressão sanguínea e da frequência cardíaca, pupilas dilatadas, coma e morte.

 

Primeiros Socorros para Situações de Hipotermia

Para as situações mais comuns, de frio leve ou moderado, o tratamento é muito simples. A retirada da vítima da água e encaminhamento para um lugar quente, trocando as roupas úmidas por roupas secas. Muito importante hidratar a vítima com muito líquido, mas nunca bebidas alcoólicas ou cafeínadas.

Caso não seja resolvido o problema, o frio pode progredir até se tornar uma emergência médica. O coração frio é sensível e um mergulhador com hipotermia pode desenvolver arritmias e eventualmente paradas cardíacas. Com hipotermia severa pode até chegar ao estado de inconsciência. Treinamento especial de socorrista ajuda muito nestas situações, como a verificação cuidadosa da respiração e frequência cardíaca para determinar se é necessária a aplicação de respiração artificial ou RCP (ressucitação cardio pulmonar). Proteger a vítima contra a perda de calor adicional com camadas mornas sobre o mergulhador, e entre este e o chão ou equipamento de transporte.

Mesmo com sinais ou sintomas de hipotermia, não são recomendados banhos quentes depois de mergulhos fundos, devido ao aumento de probabilidade de incidência de DD (Doença Descompressiva) ou causar outros problemas como sangue frio desviado às extremidades. Nestes casos, atendimento médico é necessário.

 

 

REFERÊNCIAS.
– Manuais da National Association Of Underwaters Instructors

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