Sistemas de inflagem de roupas secas


Da Redação
28/01/2016

No mergulho técnico de profundidade, devido às mais baixas temperaturas encontradas em águas mais profundas e também pelos longos períodos de exposição com a água, muito deles em paradas descompressivas, é necessário uma preocupação ainda maior com a perda de calor

 

 

O frio, por si só, já é um elemento que, no mínimo, torna seu mergulho desagradável, o que já é um ótimo motivo para que seja controlado. Afinal de contas, a atividade tem que ser divertida e confortável.

Quando excessivo, pode trazer consequências fisiológicas que podem se transformar em um problema, portanto, devem ser evitadas ao máximo durante os mergulhos.

No mergulho técnico de profundidade, devido as mais baixas temperaturas encontradas em águas mais profundas e também pelos longos períodos de exposição com a água, muito deles em paradas descompressivas (onde o trabalho físico é reduzido), é necessário uma preocupação ainda maior com a perda de calor.

É comum mergulhadores técnicos utilizarem proteção térmica extra em suas imersões. A mais recorrida é o uso de roupa seca que existe em diversos materiais: neoprene prensado, borracha vulcanizada, tecido revestido, trilaminado e tecidos mistos.

A roupa seca permite que o corpo do mergulhador não fique em contato direto coma água, reduzindo a perda de calor por condução. Possibilita o uso de roupas “quentes” por baixo do traje de mergulho que podem ser moletons, blusas, ou até mesmo uma roupa especial para a atividade denominado undergarment com ótimas propriedades térmicas.

Outro fator para manter o calor corporal do mergulhador, além de impedir o colabamento da roupa devido a compressão sofrida com o aumento da profundidade, é que as roupas secas permitem a injeção de gás em seu interior.

O gás a ser utilizado pode ser Ar, Ar Enriquecido (EAN) ou Argônio.

Quando se mergulhando com misturas que possuam o gás Hélio em sua composição o mergulhador deve carregar uma fonte extra de gás para uso em sua roupa seca.  As misturas que possuem Hélio em sua composição mais comumentes usadas são:

TRIMIX (Oxigênio, Hélio e Nitrogênio) –  mais comumente mistura utilizada em altas profundidades.

HELIOX (Hélio e Oxigênio).

HELIAR (Hélio e Ar).

 

Estas misturas são péssimas opções como gás a ser escolhido para injeção na roupa seca, por dois fatores:

  • Conduz calor muito rapidamente, o que contraria o princípio térmico de uso da roupa seca.
  • Pelo risco de provocar doença descompressiva devido a contra difusão isobárica do gás Hélio.

Quando se mergulhando com ar comprimido ou ar enriquecido com oxigênio (EAN) a mangueira de baixa pressão para inflagem da roupa seca pode ser instalada diretamente no primeiro estágio do regulador ou em uma fonte extra de gás de acordo com os recursos dos equipamentos disponíveis e a quantidade de gás necessária para realização do mergulho.

No caso de uso de uma dupla de cilindros, a mangueira de inflagem da roupa seca deve ser instalada em um primeiro estágio e a mangueira de inflagem do colete equilibrador em outro, permitindo assim uma redundância de lift  em caso de necessidade.

Nos casos de uso de misturas gasosas que contenham Hélio em sua composição é sempre necessário o uso de uma fonte extra de gás para uso na injeção de gás da roupa seca.

A configuração mais comum é a utilização de um sistema composto de um pequeno cilindro (pony bottles ou até cilindros ainda mais compactos como um modelo S13) e primeiro estágio de regulador, geralmente montados na lateral esquerda da dupla de cilindros, fixos por um sistema de cintas.  O cilindro é montado com a torneira voltada para baixo para facilitar o manuseio pelo mergulhador.

Ao primeiro estágio vai acoplada apenas a mangueira de baixa pressão para injeção do gás e uma válvula de escape de sobrepressão. A mangueira de baixa pressão passa por debaixo dos arreios do colete, a fim de manter-se bem junto ao corpo do mergulhador para evitar enroscos e confusão com outras mangueiras.

Mergulhadores Técnicos de naufrágio e cavernas em certas ocasiões utilizam um suporte de tecido para montar o sistema do cilindro de Argônio, tornando fácil de se livrar do sistema, cortando as tiras,  em caso de ficarem entalados ou enroscados em restrições.

O Argônio é um isolante térmico mais eficaz que o ar e com ínfima chance de problemas devido a contra difusão isobárica, por isso, é a opção mais preferida por mergulhadores técnicos em imersões de longa duração ou em águas muito frias.

Nota: ao menos um estudo defende a teoria de que o Argônio em nada supera o isolamento térmico do Ar.

Os cilindros de Argônio devem ser claramente identificados com adesivo especificando o gás para que não aja a mínima chance de se misturar com cilindros de gases respiráveis. Em nenhuma hipótese o Argônio pode ser respirado durante a imersão. Normalmente os adesivos vêm com a identificação do gás e a expressão “NÃO RESPIRE” em destaque.

 

Foto: Shutterstock

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